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CAMPO participa de simpósios em Viçosa e Lavras-MG
5 de junho de 2013
Entrevista do Presidente da CAMPO sobre os novos rumos da agricultura nacional
21 de junho de 2013

Evento “Fórum do Futuro” mobiliza em Unaí-MG

“Brasil precisa assumir liderança no debate sobre segurança alimentar” 40 Anos de Plano Noroeste Foto4        40 Anos de Plano Noroeste Foto Ex-ministros da agricultura destacam papel do Cerrado e do Brasil na produção de alimentos durante seminário “40 anos do Plano Noroeste – A História do Futuro”

Unaí, 13 de junho de 2013 – O discurso propalado mundialmente de que não será possível combater a fome sem abrir novas áreas, sem consumir água, nem usar máquinas agrícolas e produtos transgênicos não faz sentido. A avaliação é do conselheiro do Fórum do Futuro e Coordenador de Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas, ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues.

Ele foi um dos palestrantes do Seminário “40 anos do Plano Noroeste – A História do Futuro”, realizado quinta-feira (13.6), em Unaí (MG), e que reuniu algumas das principais autoridades da política e da agricultura nacional.

Promovido pelo Fórum do Futuro – entidade voltada para a reflexão prospectiva de questões estratégicas brasileiras – o evento traz para a região noroeste de Minas Gerais uma reflexão sobre a importância do cerrado brasileiro para alavancar a produção de alimentos.

Cálculos da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), mostram que até 2050 a produção mundial de alimentos precisará crescer 50% para abastecer cerca de 9 bilhões de habitantes. Rodrigues vê neste panorama grandes oportunidades para o Brasil.

“A primavera árabe foi desencadeada pela falta de alimentos. O debate sobre sustentabilidade na Rio+20 produziu um ‘papelucho pequenino, sem grandes horizontes. O que está em jogo é a garantia da paz. Faltam líderes no mundo para propor soluções que garantam a segurança alimentar. Chegou a hora do Brasil assumir a liderança neste tema”, sentenciou Rodrigues em sua palestra, repleta de dados sobre o potencial brasileiro.

De acordo com o ex-ministro, o setor agropecuário representa 23% do produto Interno Bruto (PIB) do país e gera 37% dos empregos. Em 2012, respondeu por 40% das exportações. Ele afirmou que o saldo da balança comercial brasileira do ano passado foi de US$ 19 bi, sendo que o da agricultura foi de R$ 79 bi.

“Ou seja, o saldo comercial da agricultura foi quatro vezes maior do que o dos outros setores. Nos últimos 12 meses, o saldo comercial geral é de 10 bi de dólares, enquanto o saldo comercial do agronegócio é de 83 bi de dólares. A agricultura é o mais importante setor da economia em relação ao PIB e o mais relevante socialmente em relação aos empregos. Em 2003, exportamos 26 bilhões de dólares. Em 2012 chegamos a 96 bilhões em meio a uma enorme crise”, observou.

Inflamando a plateia com seu otimismo e humor habituais, Roberto Rodrigues lembrou que nos últimos 20 anos a área plantada com grãos cresceu 40% e produção de grãos teve aumento de 200%. O conselheiro da FGV disse ainda que seria necessário o acréscimo de 67 milhões de hectares – além dos atuais 54 milhões de hectares – para manter produção atual com a tecnologia de décadas atrás.

“O Brasil tem 61% do território de florestas originais contra 1% na Europa. E eles ainda querem falar em segurar o nosso crescimento. Não dá para aceitar isso. O Brasil tem 851 milhões de hectares disponíveis para o agronegócio. Não é discurso romântico. Para que a oferta alimentar mundial cresça em 20%, em 20 anos, , o Brasil tem que crescer à taxa de 40%. Temos terras disponíveis, temos tecnologia e temos gente pra isso. Não tenham medo do que vem pela frente”, acrescentou ao citar o aumento na participação de jovens e mulheres nos cursos oferecidos aos estudantes e trabalhadores do meio rural.

Roberto Rodrigues, contudo, afirma que o Brasil não crescerá nem 40% se não atacar a questão do planejamento estratégico. Ao elogiar inovações no Plano Safra 2013/2014, disse que falta uma política de renda para o produtor e que a infraestrutura logística ainda será um problema nos próximos anos.

“Falta política de renda, política agrícola, tecnologia, estruturação legal para resolver questão ambiental, trabalhista; falta estratégia coordenada. No mundo inteiro, o setor funciona como Ministério da Agricultura, Floresta e Pesca. Aqui são quatro ministérios distintos. Precisamos ter uma estratégia definida. O Cerrado é o maracanã da agricultura mundial, mas depende estratégia. Só com a união vamos conseguir isso”, acrescentou.

Fonte: Assessoria de Imprensa – Fórum do Futuro

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