

O presidente da Campo, Emiliano Pereira Botelho, assumiu de vez a bandeira do desenvolvimento da região Noroeste de Minas. Foi ele o coordenador geral do Fórum do Futuro em Unaí, evento que reuniu as maiores cabeças do agronegócio brasileiro e projetou a região para Minas e para o Brasil. Em entrevista ao repórter Rubens Martins, do Jornal Visão Regional, Emiliano falou, entre outras coisas, sobre o sucesso do Fórum que se tornou um divisor de águas na história da região. Ressaltou a participação das lideranças e dos jovens estudantes e se emocionou com as oportunidades de crescimento do Noroeste Mineiro apresentadas pelos debatedores. Confira a entrevista para o Jornal Visão Regional, edição 108, ano 9:
Jornal Visão Regional – Emiliano, de que forma esse Fórum pode escrever a história do futuro do Noroeste Mineiro?
Emiliano Botelho – Sinceramente, o Fórum não tinha essa pretensão de escrever o futuro, mas vejo que pode ser um divisor de águas. Tivemos aqui o que há de mais representativo na liderança do agronegócio brasileiro. A forma como o Fórum do Futuro conseguiu motivar o Noroeste de Minas para um novo passo atingiu um objetivo muito grande, e assim pudemos visualizar esse divisor. Mas, além disso, tínhamos outro objetivo, que é mostrar o Noroeste para o Brasil, um Noroeste pujante, que produz, que pode passar por uma segunda etapa de transformação de produtos e de uma agregação de valores a estes produtos, tirando essa imagem de uma região atrasada. Esta não é uma região atrasada, o Noroeste de Minas é de um potencial de desenvolvimento agrícola e de tecnologia aplicada muito mais avançada do que todas as outras regiões de Minas Gerais, e a gente, pela distância ou pelo fato de termos vivido por muitos anos isolados pelas decisões governamentais, tendo em vista a distância do Noroeste para Belo Horizonte, às vezes não mostrávamos para Minas e para o Brasil aquilo que era o Noroeste, então esse era o objetivo, e acho que ele foi alcançado.
JVR – Como o senhor vê a participação da sociedade do Noroeste Mineiro neste Fórum mesmo em pleno feriado em várias cidades da região?
Emiliano – Olha, é claro que emociona a gente. Nós que tivemos a responsabilidade de coordenar esse encontro ficamos também com a preocupação, já que temos aqui em Unaí a tradicional festa do Boqueirão e um feriado em Paracatu. Numa quinta-feira, um final de semana que pode ser prolongado, vê esse auditório grande, com mais de 800 pessoas durante todo o dia, é realmente um fato a ser destacado. Quero aproveitar para parabenizar essa juventude de Unaí, esses jovens universitários que desde ontem à noite (12/06) dedicaram o seu tempo a ouvir as propostas deste seminário.
JVR – Como a coordenação conseguiu reunir os maiores nomes do agronegócio brasileiro neste Fórum?
Emiliano – Tenho dito sempre que durante toda a minha vida profissional, eu consegui, com a graça de Deus, conquistar muitos amigos. Isso aqui é uma rede de amigos. Evaldo Vilela, que é amigo de Paulo Romano, Paolinelli que tem um convívio direto com a Campo e comigo, Roberto Rodrigues que com sua liderança, com sua simpatia, é o nosso líder, e que conhece Cesário de Lima, que é presidente da Sociedade Rural Brasileira, enfim, criou-se uma cadeia em torno de um processo, de uma relação de amizade muito grande, e eu realmente fico muito feliz com isso, porque sei que ao longo desse tempo, se houve uma coisa que eu aprendi a fazer, foi conquistar a amizade de pessoas tão importantes como aquelas que estiveram aqui hoje.
JVR – Por que a homenagem ao ex-governador Rondon Pacheco?
Emiliano – Quando o Doutor Paolinelli, um jovem professor da Universidade de Lavras, com apenas 33 anos, foi guindado pelo então governador de Minas, Rondon Pacheco, à responsabilidade de ser secretário da Agricultura de Minas Gerais e depois se transformou no maior ministro da Agricultura que o Brasil já teve, foi graças ao trabalho desenvolvido no Plano Noroeste, idealizado pelo governador Rondon. Foi esse Plano que mudou a história da nossa região e do nosso grande amigo Paolinelli, num passo rápido de visão estratégica nascida do trabalho do governador Rondon Pacheco. Por isso a homenagem, que me deixou emocionado, feliz e sonhando em um dia, aos 94 anos, conseguir ter a sensibilidade, a visão e a inteligência que esse extraordinário homem mostrou hoje aqui em Unaí.
JVR – Vimos que este Fórum está procurando iniciar uma segunda etapa do Noroeste, a primeira etapa foi a chegada do PROCEDER?
Emiliano – Não tenho dúvida disso, e você Rubinho, é testemunha do que estou dizendo. Vivíamos numa região com imensa dificuldade de geração de emprego e renda, sem perspectivas de desenvolvimento, quer seja social, político, educacional. Gosto de citar sempre um exemplo que acho muito forte. Em 1960, transferiu-se a capital do Rio de Janeiro para Brasília. Durante os anos 60 e 70, continuamos no mesmo atraso tecnológico, com as mesmas dificuldades de conseguir uma boa educação, uma boa escola, uma boa saúde. A partir de 1980, com o Programa de Desenvolvimento no Cerrado, aí sim melhorou a qualidade de vida, desenvolveram-se as cidades, criou-se uma força econômica no Noroeste de Minas que transformou essa região, nos dando a possibilidade de sonhar com um bom emprego, uma boa faculdade, uma boa saúde, uma boa educação.
JVR – O Fórum do Futuro continua?
Emiliano – Continua sim. Temos hoje uma entidade jurídica registrada, com sete conselheiros, todos com mais de setenta anos, como foi dito aqui hoje. São eles: Roberto Rodrigues, Alysson Paolinelli, o embaixador Paulo Tarso Flecha de Lima, Elieser Batista, Paulo Nogueira, Renato Simplício e Paulo Haddad. A diretoria da entidade é formada por mim, Fernando Barros, Paulo Romano e Antônio Lício. Portanto, como vê, o Fórum continuará atuando. Nossa próxima etapa é a realização de um fórum que visa discutir segurança alimentar. Esse fórum deve ser realizado em Brasília, em Belo Horizonte ou no Triângulo Mineiro. Esperamos que nesse próximo seminário a gente possa ter o mesmo sucesso que tivemos aqui em Unaí, embora eu tenha certeza absoluta que o calor humano e a emoção que tivemos aqui, dificilmente iremos encontrar em outro lugar.
JVR – Qual a mensagem que você deixa para a sociedade do Noroeste Mineiro acerca deste evento?
Emiliano – De uma certeza que com a juventude que vi aqui em Unaí, com as propostas que foram apresentadas neste Fórum, essa nossa região tem uma tendência muito forte de continuar desenvolvendo. É só irmos de encontro ao que foi pregado por Paolinelli, Roberto Rodrigues, Paulo Haddad, Evaldo Vilela e tantos outros, unirmos as lideranças políticas, as Câmaras de Vereadores, os prefeitos e os deputados votados aqui na região, numa troca de ideias constantes, para nós mesmos projetarmos os nossos projetos, alcançarmos nossas realizações e transformar cada vez mais o Noroeste de Minas numa realidade viva para Minas Gerais e para o Brasil.
Fonte: Jornal Visão Regional